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A Justiça de Pernambuco, a pandemia e a capacidade de adaptação

”Estávamos preparados para toda essa mudança? Não. Mas quem estava? E, ainda com todos os desafios enfrentados para que o trabalho remoto fosse possível, superamos as dificuldades e mantivemos a Justiça funcionando plenamente”

*Fernando Cerqueira

Existem aqueles que acreditavam que o Judiciário não estaria pronto para enfrentar uma grande crise. Afinal, para um Poder secular, que tem como princípio a pacificação social, inovar e se adaptar aos novos tempos sem colocar em risco a segurança jurídica do cidadão é realmente um desafio.

Então veio a pandemia do coronavírus e todas as mudanças causadas pelo alto índice de transmissão e letalidade da doença. Foi preciso nos ajustarmos com a agilidade que era necessária para salvar o bem mais precioso que temos, a vida.
Por meio de atos, rapidamente, isolamos idosos e os mais vulneráveis, acompanhamos aqueles com suspeita de terem contraído a doença e também afastamos os que tiveram contato com eles. De uma só vez, colocamos todo o estado em funcionamento remoto e garantimos que todos continuassem trabalhando a distância para não prejudicar os que mais precisam, os cidadãos.
Estávamos preparados para toda essa mudança? Não. Mas quem estava? E, ainda com todos os desafios enfrentados para que o trabalho remoto fosse possível, superamos as dificuldades e mantivemos a Justiça funcionando plenamente.
Em nove dias, foram praticados, só no 1º grau, 76.232 atos, entre sentenças, decisões e despachos. E, no 2º grau, foram 3.296 atos, entre acórdãos, julgamentos, decisões e despachos.
No 1º grau, o número de sentenças e decisões teve ainda pequeno aumento em relação ao ano passado. Foram 17.836 sentenças e 10.926 decisões. Em 2019, foram 17.030 e 10.453, respectivamente.
O 2º grau também registrou acréscimo nas decisões e julgamentos monocráticos. Foram 989 decisões monocráticas e 459 julgamentos monocráticos. Em 2019, no mesmo período, foram 714 e 451, respectivamente.
Mais do que uma cobrança por produtividade, esses dados demonstram o esforço dos nossos magistrados e servidores para atender à população.
Na vida pessoal, muitos superaram condições não ideais de trabalho, enfrentaram situações complexas, a ansiedade causada por tudo que a sociedade está vivendo e entregaram uma prestação jurisdicional adequada.
A Covid-19 surpreendeu a humanidade. Tem nos feito repensar nossa forma de vida, nossas necessidades e prioridades. Para o Tribunal de Justiça de Pernambuco, não é diferente. Essa doença está sendo verdadeiro paradigma. Estamos repensando toda a nossa forma de funcionar e nos reinventando.
O trabalho remoto tem funcionado plenamente, as sessões virtuais estão se tornado realidade e já pensamos em como expandi-las. Magistrados têm feito uso de ferramentas para realização de audiências virtuais com o propósito de melhorar a comunicação com os operadores de direito e as partes.
Nossas metas estão sendo revistas com base nessas mudanças. Com certeza, como disse o desembargador Vladimir Passos de Freitas em recente artigo, o Judiciário não será o mesmo depois do coronavírus.
* Presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco 
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