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Rondônia lidera ranking negativo sobre investimento em Segurança Pública

Com descaso do governo, setor cresceu para baixo como "rabo de cavalo"; Estado amarga uma queda de 22,8% em investimento na Segurança Pública

AVALIAÇÃO – Presidente do Sinsepol, Rodrigo Marinho, acredita que setor pode ter melhorias em 2018

DA REPORTAGEM LOCAL

O Estado de Rondônia lidera ranking negativo de investimento em Segurança Pública em todo o país. Dados de um estudo publicado pelo jornal Folha de S. Paulo mostram que o setor no Estado detém uma queda de 22,8% no período entre 2015 e 2017. Rondônia obteve pior desempenho que o Rio de Janeiro, que atravessa um dos maiores caos sociais de sua história.

Para o presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Rondônia (Sinsepol), Rodrigo Marinho, o resultado negativo do estudo não surpreende, devido a falta de compromisso do governo com a Segurança Pública.

Rodrigo cita como exemplo um levantamento feito pelo Sinsepol que mostrou ao governo as precárias condições das delegacias de polícia em todas as cidades de Rondônia. Apesar do dossiê entregue, pouca coisa mudou.

De acordo com Rodrigo Marinho, outro fator que comprova o baixo desempenho do Estado na área de Segurança Pública foi o fechamento de Delegacias de Polícia. Em Porto Velho, por exemplo, foram desativadas o 6º DP e o 8º na mesma área de abrangência, a zona Leste, local com maior incidência de crimes.

O fechamento e a abertura de Unidade Integrada de Segurança Pública (Unisp) mascara o real índice de violência. Ele explica que o cidadão que mora no bairro Ulisses Guimarães dificilmente vai registrar uma ocorrência de furto, roubo, devido à distância que a Unisp fica de seu bairro. A dificuldade de se locomover – tendo que pagar coletivos – inibe a procura, faz cair o índice de registro de ocorrências, gerando uma fictícia impressão de melhoria na área. Na verdade, os índices são bem maiores. Eles estão envoltos numa “cortina de fumaça” criada pela dificuldade do cidadão fazer sua denúncia.

A mesma pesquisa diz que o Estado do Maranhão é segundo em todo o Brasil que mais aumentou os investimentos em Segurança Pública, de acordo com reportagem publicada na segunda-feira (5) no jornal Folha de S. Paulo.

Entre 2015 e 2017, o Governo do Maranhão ampliou em 26% os investimentos na área, atrás apenas do Piauí. Em números absolutos, foram mais de R$ 1,5 bilhão investidos pelo Maranhão no combate à violência em 2017. Os 26% de aumento são bem maiores do que a média nacional de 1% de ampliação dos investimentos na área no mesmo período.

Além disso, onze Estados tiveram redução de gastos com a Segurança Pública, ainda segundo a Folha de S. Paulo. Os investimentos do Maranhão na área têm se refletido na expressiva redução da criminalidade. O número de homicídios na Grande São Luís, por exemplo, caiu 40% em 2017 na comparação com 2014.

Em fevereiro deste ano, a queda foi de 60% na comparação com o mesmo mês de 2014. Hoje o Maranhão tem a maior tropa de policiais da história, passando de 12 mil profissionais. Desde 2015, mais de 800 viaturas foram entregues.

ESPERANÇA

Na pauta do Congresso Nacional, a Segurança Pública pode obter melhores durante 2018, afirma o presidente do Sinsepol, Rodrigo Marinho. Depois de uma semana em que a intervenção federal no Rio de Janeiro ganhou prioridade no Congresso Nacional, a Câmara dos Deputados e o Senado voltam aos poucos à rotina de início de ano legislativo.

Fora dos trabalhos regulares da Câmara, começou a funcionar dia 1º deste mês, o Observatório Legislativo da Intervenção Federal na Segurança Pública do Rio de Janeiro. O presidente da casa, Rodrigo Maia, lançou o fórum sábado passado. O observatório vai coletar a analisar dados da intervenção. Os integrantes vão ser nomeados por atos de Rodrigo Maia, e coordenados por servidores da casa.

De acordo com Rodrigo Marinho, o posicionamento do Congresso Nacional e do governo federal, que empunham a bandeira da Segurança Pública como meta deste ano, pode gerar nos estado, inclusive em Rondônia, uma melhora significativa no setor.

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